Minha querida Petra:
Volto de trem depois de te deixar em Madri. Com o vazio que tua ausência faz experimentar e com muitos sentimentos que se alternam é como se dessem a mão a dor e a fraternidade, a pena e o carinho, o mistério e a esperança… Porém, também é forte o agradecimento ao Deus que te deu a Vida, à tua família que marcou tua maneira de ser e à Congregação que te ajudou a crescer, às tuas irmãs, amigas e aos companheiros que tivemos a sorte de compartilhar contigo trabalho, sonhos e até sofrimentos.
Tudo foi para ti ocasião para sorrir, escutar, compreender, aceitar… Soubeste fazer a vida fácil, conseguiste transmitir felicidade e contagiar ganas de viver. Semeaste o que já começamos a colher…
Te conheci e te quis bem. Creio que eu sabia entender tua palavra condensada e cheia de conteúdo, unida ao teu sorriso e à tua gargalhada que nunca achei superficial… Muitas vezes teu silêncio falava e teus gestos e teu olhar eram capazes de sintetizar a riqueza que tinhas no coração.
Quando entraste na Congregação, ante a razoável postura de teus pais querendo que terminasses o ano que faltava para concluir tua carreira, permanecia tua única convicção: “É meu momento!”. Também agora Deus elegeu para ti o momento dele, tua hora…
Fico com muita pena porque já não estás, mas me alegro porque chegaste. Será porque gostavas de andar, porque necessitavas caminhar... Ou porque tu eras rápida nas decisões e projetos?
Somente a última etapa da doença paralisou desejos e planos que estavam programados... e desenvolveu ainda mais tua capacidade de comunicar: teu silêncio falava, tuas mãos, teus olhos, teus monossílabos...
São inesquecíveis as últimas palavras que me disseste. Estavam empapadas de um sabor universal, porque me recordaste que as irmãs do curso de renovação, na Bolívia, estavam terminando os EE e seria bom mandar-lhes uma mensagem. Em teus últimos momentos chegavas com teu pensamento aonde não poderias ir.
Agradeço ao Senhor te acompanhar nos teus últimos exercícios em setembro. Estava afiançada tua disponibilidade e muito claro o princípio e fundamento. Alguns momentos de desolação, porém a evidente segurança no Deus que te surpreende e ama e quer que te abandones em suas mãos. O símbolo da figueira foi muito expressivo para definir teu momento e tua situação. Tua mente matemática se desvanecia com o evangelho. E tua entrega estava plena de generosidade, desprendimento...
Obrigada Petra!!! Não se ouve mais tua risada externamente, é algo como se ela tivesse sido incrustada no coração como o melhor presente amigo. Não te esqueças do que deixaste, do que  construíste, do que desejaste.
No silêncio, sem palavras e sem risadas, e ante tua pessoa sem vida passaram pelo coração muitos momentos vividos contigo, muitas confidências cheias de inquietação e de afeto... Escutei o que tantas vezes foi tão importante em tua vida, esses desejos de seguir Jesus...
Murcia, Elche, Madri, Granada, professores, Alcor e tanta gente que foi se despedir de ti choramos e nos consolamos. O Cristo de Xavier te recebeu e fundiu seu sorriso com o teu.
Ficamos com tua morte e tu levas a VIDA. Dize à Senhora que também nos coloque com seu Filho. Cuida para que sejamos Filhas de Jesus conforme o desejo da M. Cândida, manda para nós alguma jovem para te suprir e... como não existe o tempo... logo nos encontraremos!!
Meu abraço está unido ao de muita gente que sente tua falta. Te quero muito bem, tua irmã

Lola Giménez fi

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