Início do tempo comum
Com a celebração do Batismo de Jesusno domingo passado, chegamos ao fim da época do Natal. Foram semanas em que contemplamos o mistério de um Deus que está próximo de nós, que se permite ser encontrado na simplicidade e que nos lembra, repetidamente, de nossa identidade mais profunda: somos filhas e filhos amados.
Passado o Natal, a Igreja nos convida a entrar no Tempo Comum. Um tempo que, embora tenha esse nome, não é indiferente nem rotineiro, mas um espaço privilegiado para a vida cotidiana, para as pequenas coisas, para o que está tomando forma dia a dia, ajudando-nos a viver nossa fé passo a passo.
Essa época é vivenciada de diferentes maneiras em diferentes lugares: em alguns países, coincide com dias de descanso e feriados;
em outros, com o inverno e o ritmo pleno do ano letivo, trabalho e responsabilidades.
Seja qual for o contexto, este primeiro Tempo Comum de 2026 será curto, pois a Quaresma deste ano começará em 18 de fevereiro.
Um itinerário espiritual para a vida cotidiana
Se olharmos mais de perto a jornada que estamos prestes a fazer, talvez nos surpreendamos ao ver que os Evangelhos desses domingos do TO propõem um verdadeiro itinerário espiritual, muito próximo da espiritualidade inaciana: começar olhando para Jesus, deixando-nos afetar por Ele e discernindo como direcionar nossas próprias vidas de acordo com Seu modo de amar.
A jornada começa com o convite para reconhecer Jesus: “Este é o Cordeiro de Deus” (Jo 1:29-34). Antes de agir, o discípulo é chamado a olhar e contemplar, a se deixar tocar pelo Espírito que repousa sobre ele.
Dessa experiência vem o chamado ao discipulado (Mt 4:12-23). Jesus se aproxima da vida concreta e pronuncia uma palavra que pede uma resposta. Em termos inacianos, o discernimento se abre aqui: ouvir o que o Senhor está pedindo de mim hoje e ousar escolher.
As bem-aventuranças (Mt 5:1-12) nos apresentam a escola do coração. Jesus propõe um estilo de vida que questiona nossos desejos e critérios de felicidade, convidando-nos a ordenar nossos afetos de acordo com o Reino.
A fé recebida se torna missão: “Vocês são o sal da terra e a luz do mundo” (Mt 5:13-16). A contemplação leva à ação; o discípulo é enviado a encontrar Deus em todas as coisas, mesmo nas pequenas e cotidianas, sendo contemplativo na ação.
Por fim, Jesus nos convida a uma justiça mais profunda (Mt 5:20-34), que nasce de dentro e se expressa em palavras, em relacionamentos e em decisões diárias. O seguimento se concretiza na escolha por amor.
Assim, esses domingos do Tempo Comum, que percorreremos do Natal à Quaresma, nos oferecem um caminho profundamente inaciano; um caminho simples e autêntico, para que o Evangelho possa moldar nossa vida comum: olhar para Jesus → ouvir seu chamado → deixar-se moldar por seu estilo → ser enviado → escolher como viver a partir do coração. Um caminho para você crescer em liberdade interior e para que, na normalidade da vida, tudo seja para a maior glória de Deus.
Tempo para cuidados e atenção
Ele nos é dado como um momento especial de atenção e cuidado. É também um momento propício para permitir que tudo o que compartilhamos e celebramos nessa jornada de renascimento filial se estabeleça em nossos corações: a certeza da filiação, o chamado para viver em confiança, a paz que vem de saber que somos sustentados por Deus e o chamado para torná-lo vivo em nossa vida diária.
Ao iniciarmos este Tempo Comum, Que passo concreto o Senhor está me convidando a dar hoje para segui-Lo mais de perto em minha vida diária?
Que este Tempo Comum nos ajude a integrar o que vivemos e a caminhar em nossa vida diária com e como Jesus.



