Continuamos a caminhar nesta Semana Santa. Depois de termos entrado com Jesus no Domingo de Ramos, acolhendo sua humildade; depois de termos aprendido na segunda-feira a amar sem cálculos e a cuidar dos frágeis; e depois de termos nos deixado olhar na terça-feira com verdade para transformar nossos corações, hoje a jornada nos coloca frente a frente com uma realidade mais dura: a fragilidade de nossos vínculos.
A traição e a distância também aparecem na história de Jesus. Judas era amigo de Jesus e o traiu. Sua vida nos lembra que nós também podemos romper relacionamentos, nos afastar, falhar no amor. O rompimento de relacionamentos tem sérias consequências em círculos próximos, em estruturas, instituições e, como bem sabemos, no mundo inteiro.
Hoje, nosso mundo ainda está ferido por divisões, guerras, injustiça e desconfiança. Vivemos em um mundo onde a fraternidade está quebrada (GCXIX). E, no entanto, o Evangelho não para por aí: ele nos convida a reconstruir os vínculos, a refazer a confiança, a cuidar dos relacionamentos que sustentam a vida.
Portanto, hoje nos perguntamos honestamente:
Que coisas valiosas posso estar negligenciando ou trocando por menos?
Que relacionamento em minha vida precisa ser nutrido ou curado?
Onde sou chamado para reconstruir relacionamentos?
Talvez o gesto de hoje seja um passo corajoso e simples: reconciliar-se com alguém ou, pelo menos, começar a orar por essa pessoa. Abra uma porta, mesmo que pequena, para a fraternidade.
E a partir daí, oramos: Senhor, faça de nós semeadores de fraternidade.



