loader image

«Vem»: a pequenez que caminha sobre as águas

ago 8, 2026 | Destaque, Hijas de Jesús, Liturgia – oración

Neste domingo, 9 de agosto, celebramos a festa da nossa fundadora, Santa Cândida Maria de Jesus. Como é domingo, as leituras da liturgia da palavra do dia têm prioridade sobre as leituras próprias da festa; por isso, neste ano em particular, a gente está convidada a rezar com o Evangelho deste domingo, que conta a história de Pedro caminhando sobre as águas.

Ao mesmo tempo, já tão acostumadas a refletir sobre o texto de Mateus da festa de Santa Cândida, que exalta a humildade e a pequenez, hoje não podemos deixar de unir os dois textos em um único convite: o de confiar em Deus a partir da nossa própria pequenez.

Um evangelho que ensina a superar o impossível

O relato de Mateus (14, 22-33) nos leva para a noite, com os discípulos remando contra o vento em um barco sacudido pelas ondas. É Jesus quem se aproxima caminhando sobre a água, e é Pedro quem se atreve a pedir: “Senhor, se és tu, manda-me ir até ti caminhando sobre a água”. Jesus responde com uma única palavra: “Vem”.

Pedro caminha sem tirar os olhos de Jesus. Mas, assim que sente a força do vento, ele hesita e, então, começa a afundar e grita: “Salva-me, Senhor!”. E a resposta de Jesus não é uma repreensão que o afasta, mas uma mão que o segura: “Imediatamente, Jesus estendeu a mão para ele e o segurou”.

Não é a força do Pedro que o mantém sobre as águas. É a confiança — frágil, vacilante, mas real — naquele que o chama e a presença real e próxima de Cristo, quer a vejamos ou não, quer a sintamos ou não.

O evangelho da festa de Santa Cândida: a revelação aos pequenos

O evangelho que a Igreja escolheu para a festa de Santa Cândida (Mateus 11, 25-30) nos dá a chave para ver essa mesma cena de outro ângulo. Jesus agradece ao Pai porque Ele escondeu essas coisas dos sábios e dos entendidos e as revelou aos pequeninos. Não é a sabedoria nem a força própria que abre caminho para a revelação de Deus, mas a simplicidade de quem se sabe pequeno.

Essa é, justamente, a espiritualidade que a santa Cândida viveu e nos deixou como herança: a confiança simples e filial em Deus, a certeza de que é Ele quem age e sustenta, e de que nossa pequenez — longe de ser um obstáculo — é o lugar onde a força Dele se manifesta.

Andar sobre as águas desde a infância

Quando colocamos os dois evangelhos lado a lado, surge um mesmo caminho. O que permite que Pedro ande sobre as águas não é a coragem nem a habilidade dele, mas a confiança que ele tem na voz que o chama. E o que Jesus exclama com gratidão, que é revelado aos pequenos, não é uma recompensa pelos méritos deles, mas um dom gratuito que se recebe de braços abertos, de quem não tem nada a oferecer além da própria disponibilidade.

Santa Cândida soube caminhar assim: sobre águas agitadas, com ventos contrários, sustentada não por sua própria força, mas pela confiança depositada em Deus. Sua pequenez se tornou o espaço onde Deus pôde agir com força, assim como fez com Pedro quando estendeu a mão para ele.

Hoje, ao celebrar a festa dele, a Igreja nos convida a fazer o mesmo: a não ficarmos paralisados de medo diante do vento contrário, mas a ouvir a mesma palavra que Pedro ouviu — “Vem” — e a dar o primeiro passo, confiantes de que, mesmo que duvidemos e comecemos a afundar, tem uma mão que sempre nos segura.

Pode ser útil a gente se perguntar: Será que estou enfrentando algum mar agitado neste momento da minha vida? O que estou sentindo, exatamente? Que palavra de Jesus “me salva”? O que, na simplicidade da minha vida, é motivo de alegria e de gratidão de Jesus por mim?

Para rezar hoje

Como ajuda também para a oração pessoal ou em comunidade, sugerimos que você ouça “La barca y el mar”, das nossas amigas da Ruah, que recria musicalmente essa mesma cena do Evangelho.

O livrinho de letras que vem junto com a música apresenta o tema, lembrando que viver com profundidade é, de certa forma, navegar na incerteza: somos como pequenos barcos sacudidos por um mar imprevisível, e é justamente aí, no meio dessa fragilidade, que existe um amor que nos sustenta e nos faz seguir em frente. O próprio texto traz uma intuição que ilumina bem a nossa festa: Deus nem sempre nos livra da tempestade, mas sempre nos livra na tempestade.

A música se pergunta onde está Deus na hora da tempestade; talvez seja a mesma pergunta que, na sua simplicidade, a Madre Cândida se fez tantas vezes: não a certeza que acaba com a dúvida, mas a confiança que te sustenta mesmo no meio dela, a certeza de que Deus habita tanto na barca quanto no mar, tanto na nossa fragilidade quanto na força que nos faz caminhar sobre o impossível.

🎵 Ruah — O barco e o mar

Feliz festa de Santa Cândida!

Que, neste dia, a gente consiga, assim como ela, reconhecer que somos pequenos diante de Deus e descobrir nessa pequenez não uma fraqueza, mas o lugar de onde Ele nos fortalece. Que o exemplo dela te anime a dar o passo para fora do barco, a caminhar com simplicidade e confiança sobre as águas que se apresentam pra você hoje, sabendo que, mesmo que o vento esteja contra, há uma mão sempre pronta pra te apoiar. Feliz festa de Santa Cândida Maria de Jesus!

Hijas de Jesús
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.