O dia 12 de maio é uma data profundamente significativa para as Filhas de Jesus e para toda a Família da Madre Cândida. Lembramos o dia em que a Madre Cândida e Antoñita foram proclamadas bem-aventuradas, reconhecendo em suas vidas uma marca de Deus que continua a iluminar nosso caminho hoje.
Foi há 30 anos, em Roma, na Praça de São Pedro, em 12 de maio de 1996, quando elas foram beatificadas juntas pelo Papa João Paulo II. Naquele dia, a Igreja reconheceu publicamente algo que já era vida: o Evangelho encarnado em duas mulheres concretas, em duas histórias reais, em duas maneiras de amar à maneira de Jesus.
Aquele dia foi, acima de tudo, a confirmação de algo que ainda é relevante hoje: quando uma vida é dada com verdade, confiança e determinação, Deus faz novas todas as coisas.
Madre Cândida, uma mulher simples e profundamente confiante, respondeu ao chamado de Deus com uma clareza interior que marcou toda a sua vida: “Eu sou somente para Deus”. Sua jornada não foi isenta de dificuldades, incertezas e limites, mas sua determinação a levou a iniciar um trabalho que continua a dar vida hoje em muitos lugares do mundo.
Junto com ela, Antoñita – jovem, simples, cheia de desejo por Deus – nos lembra que não há idade para viver radicalmente o Evangelho. Sua curta vida foi, no entanto, profundamente frutífera.
Comemoramos um “casamento de pérolas”.
Trinta anos depois, estamos celebrando um “jubileu de pérola” justamente neste momento de recepção e encarnação da Det CGXIX. E isso não é por acaso. A pérola não nasce perfeita, nem rapidamente, nem de uma só vez: ela é gestada lentamente, no oculto, em meio à fragilidade, quando uma ferida se transforma em beleza. Não é esse, no final, o nosso carisma de M. Candida? Cândida?
A vida da Madre Cândida e de Antoñita nos lembra que Deus age dessa maneira: no pequeno, no cotidiano, no que parece insignificante… mas vivido radicalmente. Uma mulher simples que se atreveu a dizer: “O mundo é pequeno demais para meus desejos”.
Uma jovem que, com apenas 21 anos de idade, se entregou: “É necessário chegar ao topo. Se você o fizer, faça-o em sua totalidade”.
Duas vidas diferentes, um incêndio.
Hoje, esse fogo não pertence somente às Filhas de Jesus. Hoje, esse fogo tem muitas faces.
Esse aniversário – quase espontaneamente, em várias partes do mundo – tornou-se um dia especialmente celebrado pelos leigos e leigas da família carismática. Foi um dia carinhosa e agradavelmente lembrado por tantos educadores, jovens, famílias, ex-alunos… que, com o mesmo espírito, dão vida a esse modo de ver, de educar, de acompanhar, de crer.
Assim, o carisma permanece… uma corrente viva. Ele nasceu para responder a um mundo concreto – marcado pela exclusão, especialmente dos mais vulneráveis e das mulheres na educação – mas permanece profundamente atual.
Hoje ele continua a fazer perguntas e a nos questionar:
- Quem você deixou de fora hoje?
- Onde somos chamados a educar, acompanhar e cuidar?
- O que significa, em 2026, “fazer todas as coisas para a maior glória de Deus e o bem das pessoas”?
Comemorar este 30º aniversário não é apenas olhar para trás com gratidão. É olhar para dentro com verdade… e para frente com ousadia.
Porque talvez a pergunta mais importante não seja o que eles fizeram. Mas o que estamos fazendo com o carisma e os dons que recebemos?
Um convite aberto
Trinta anos depois, o convite ainda está aberto: deixar que esse carisma continue a tomar forma em nós, em nossas decisões, em nossas presenças, em nossas formas de estar no mundo… também nos espaços digitais, onde tantas buscas de significado são feitas hoje.
Que a Madre Cândida e Antoñita nos inspirem a viver com um coração determinado, disponível e confiante. Que o exemplo delas nos encoraje a dar passos concretos, a não adiar o que é importante, a responder generosamente ao que Deus está despertando em nós.



