Continuamos a percorrer o mundo acompanhando as escolas que educam seguindo o exemplo da Madre Cândida, para mostrar como o Pacto Educativo Global ganha forma concreta em cada comunidade educacional. Depois de conhecer a experiência da Escola Reina de la Paz, na Colômbia, com a educação emocional, hoje viajamos até as Filipinas. De Cebu, Rosalie A. Idulsa nos conta como os alunos da Sacred Heart School – Filhas de Jesus foram ao encontro dos mais vulneráveis para aprender com eles e com eles.
Uma sala de aula sem paredes: o encontro com os agricultores
Os alunos do 9º e do 10º ano da Escola Sacred Heart School-Filhas de Jesus (Cebu City, Filipinas) participaram recentemente de uma atividade social interdisciplinar transformadora chamada: Interação com os agricultores.
Essa iniciativa tinha como objetivo diminuir a distância entre o que se aprende na sala de aula e a realidade social, incentivando os alunos a ouvir “o clamor dos pobres e o clamor da terra” por meio de um contato direto com uma comunidade agrícola marginalizada em dois barangays remotos e montanhosos da cidade de Cebu: Maomawan e Sudlon.
Ouvir para entender: a dignidade do trabalho agrícola
O impacto desse encontro nos alunos foi imediato e profundo. Por meio do diálogo, muitos compartilharam reflexões profundas sobre a dignidade do trabalho e o enorme desgaste físico e emocional que o trabalho agrícola implica. Eles reconheceram que os agricultores são o verdadeiro pilar da comunidade, desempenhando um papel essencial para garantir a segurança alimentar de todos.
Os alunos se reuniram com os agricultores locais para fazer entrevistas aprofundadas, o que permitiu que os jovens conhecessem em primeira mão a realidade do dia a dia, os desafios e as aspirações de quem trabalha a terra.
Essa interação fez com que ele percebesse a necessidade urgente de justiça social, ao identificar as dificuldades sistêmicas e as vulnerabilidades econômicas que essas famílias enfrentam no dia a dia.
Sementes de empatia e reciprocidade espiritual
Esses alunos não se limitaram a visitar uma fazenda, mas também plantaram sementes de empatia e de um futuro impacto social. Como gesto de gratidão e hospitalidade, os agricultores ofereceram aos alunos símbolos do seu trabalho e da sua fé: verduras frescas, flores, rosários e imagens da Divina Misericórdia. Sem dúvida, o dia foi repleto de momentos comoventes de reciprocidade e conexão espiritual que uniram a comunidade e os jovens em espírito.
O dia ficou ainda mais especial com a visita do pároco, o padre Temothy, que deu palavras de incentivo e agradeceu de coração aos alunos. Ele destacou a importância espiritual e comunitária de os jovens saírem da sua zona de conforto para servir e aprender com quem vive à margem da sociedade. A atividade, promovida pelos departamentos de Inglês e Ciências Sociais, foi marcada por uma participação ativa que foi muito além da simples observação.
Da experiência à ação: propostas para transformar
Com base na experiência e na reflexão posterior, os alunos vão elaborar propostas de ação fundamentadas em pesquisas para responder aos desafios identificados. Esse exercício une formação acadêmica, sensibilidade social e compromisso com a sustentabilidade, que são os pilares do Pacto Educativo Global.
Essa atividade transformou um conceito geral em uma experiência concreta: educar para a compaixão, a justiça e o bem comum. Ao priorizar a pessoa e reconhecer a dignidade dos mais vulneráveis, a comunidade educacional reafirma sua missão de formar jovens capazes de transformar a sociedade por meio da empatia e do serviço.
Rosalie A. Idulsa — Cebu, Filipinas (original em inglês)
Vamos continuar essa jornada juntos
As Filipinas nos mostram hoje que o Pacto Educativo Global não se assina só com palavras: ele se vive indo ao encontro do outro, ouvindo, compartilhando e se deixando transformar.
Essa experiência é um convite para continuarmos a aprofundar o compromisso nº 5 do Pacto Educativo Global, que diz:“Abrir-se ao acolhimento: educar e nos educarmos no acolhimento, abrindo-nos para os mais vulneráveis e marginalizados”
Essa é a educação que, no espírito do Dia Mundial da Educação Católica, continuamos promovendo na rede de escolas que seguem o exemplo da Madre Cândida. Vamos continuar publicando mais experiências dessa série, porque cada escola tem uma história para contar e um mundo para transformar.





